Tomara que os deuses do Olimpo façam com que eu queime a minha língua, mas já estou perdendo as esperanças de ver o Brasil bem posicionado no quadro de medalhas das Olimpíadas de Pequim.
É lógico que surpresas como as de Cielo são bem-vindas, mas ao que tudo indica, tirando o futebol e o voleibol onde, afastadas as zebras que sempre rondam os esportes coletivos, temos boas chances, e o vôlei de praia, onde tradicionalmente temos bons jogadores, as esperanças são remotas. Tivessem os jogos olímpicos competições de futebol de salão e de futebol de areia, certamente também seríamos candidatos a buscar medalhas douradas.
Mas a verdade é que, tirando os esportes que estão no nosso sangue - vamos dizer assim -, o Brasil não apresenta grande estrutura para, primeiro revelar e, depois, trabalhar esses atletas a ponto de serem imbatíveis.
O tempo de recuperação numa Olimpíada é muito curto em alguns esportes e, em outros, nem existe. É o caso, por exemplo, da nossa Ednanci Silva, que teve menos de 20 minutos entre a disputa que a credenciou a brigar pelo bronze e a luta pela medalha. Somente uma pessoa supertreinada ou superprofissional teria condições para vencer naquelas condições.
É isso mesmo: o que a gente tem visto são esportes cada vez mais profissionais. Um grande exemplo vem da natação. Até agora, sozinho, o americano Michael Phelps já ganhou mais medalhas do que continentes inteiros. Então, não dá para disputar com ele sem ter em volta toda uma estrutura. Aliás, nossas medalhas na natação, na época de Xuxa e Gustavo Borges apareceram graças ao trabalho que eles realizaram nos Estados Unidos.
Não é segredo para ninguém que os astros do atletismo mundial treinam nos chamados países de primeiro mundo e, com raras exceções, temos vitoriosos caseiros, ou seja, aqueles que treinam com recursos próprios.
Poderia passar horas aqui, citando outros exemplos, mas esses já são suficientes para mostrar que o trabalho para uma Olimpíada precisa ser realizado ao longo de anos e, porque não dizer, de décadas. Um exemplo vem da própria China, que promoveu um casamento entre astros do basquete, de olho no filho do casal, hoje um jogador de basquete da equipe principal daquele país. É lógico que não é só a preparação física e, no caso chinês, a aposta genética. Mas, se quisermos estar entre as grandes potências olímpicas, é necessário, primeiro, descobrir talentos. E o caminho para isso são as competições intersalas, intercolegiais, interbairros, intermunicipais e interestaduais, procurando popularizar o maior número de esportes possível.
Uma vez descobertos os talentos, estes necessitarão de estrutura para treinamentos, acompanhamento por equipe multiprofissional e equipamentos de última geração; caso contrário, estaremos fadados ao insucesso ou às pequenas surpresas como a de Cielo nos 100 metros livres da natação e o talento das meninas e meninos do vôlei e futebol.
Agora, só não sei que graça tem competir usando tanta tecnologia a ponto de não sabermos se quem está representando nossas cores são humanos ou robôs. E as coisas estão acontecendo de tal forma, que até mesmo banalizaram os recordes olímpicos. Hoje, eles caem na velocidade dos próprios recordes.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
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