sexta-feira, 15 de agosto de 2008

De olho no vizinho

Trombei com um texto na Internet, segundo o qual o Ituiutaba, que faz uma grande campanha no Campeonato Brasileiro da Série C, desbancando favoritos e empolgando os moradores da cidade vizinha, tem folha salarial de apenas R$ 60 mil.
Olha, se levarmos em conta que a cidade do pontal do Triângulo Mineiro tem apenas 90 mil habitantes e o público médio nos jogos da terceirona do Campeonato Brasileiro tem sido de duas mil pessoas, é certo que bem perto daqui está um bom exemplo para os nossos clubes de futebol.
Sinceramente, acho que isso deve ser um trabalho a ser executado de perto pelos dirigentes colorados. Afinal, não se tem notícia de nenhuma fórmula mágica para o sucesso do Ituiutaba. Do time que disputou o Campeonato Mineiro e chegou entre os quatro semifinalistas, apenas o goleiro Leandro, o zagueiro Amarildo, o volante Machado, o meia-atacante Léo Papel e os atacantes Dênis e Moreno permaneceram para a Série C. Vinte atletas reforçaram o time para a disputa da competição.
Então, não se pode dizer que o Ituiutaba manteve uma base de jogadores para o Campeonato Brasileiro e contraria até mesmo a minha filosofia de que é preciso investir na prata da casa, porque no elenco são poucos os jogadores da própria cidade. Também não se tem notícia de peneiradas intermináveis e períodos de testes que nunca terminam.
O fato é que, na primeira fase da Série C, o Boa deixou para trás Mirassol e Tupi-MG e terminou na liderança do Grupo 13, à frente do Noroeste. Na segunda fase, o clube mineiro vem confirmando a fama de carrasco de paulistas e já venceu duas e empatou outra contra equipes de São Paulo. Derrotou Guarani e Ituano, ambos fora, e empatou em casa, com o Noroeste, clube que novamente cruza o caminho do Ituiutaba.
Com esses resultados, está na ponta do Grupo 23 e muito perto de avançar na competição. Assim, o objetivo inicial, que é terminar entre os 20 primeiros, está próximo de ser alcançado, garantindo o Ituiutaba na Série C do ano que vem.
Essa conquista é muito importante porque, em 2009, a Série C terá patrocínio da CBF e o clube hoje tem despesas de 10 a 20 mil reais por partida realizada, não terá este gasto.
O autor da matéria que vi na Internet até que dá algumas dicas para quem quer entender o sucesso do Ituiutaba-MG. Trata-se de um clube simples, sem luxo, onde as coisas funcionam bem, graças à transparência do trabalho da diretoria e o empenho de todos os atletas. O mesmo autor cita palavras do técnico Ney da Matta: “Não trabalhamos com jogadores caros, mas sim com aqueles que têm a vitória como objetivo e lutam por isso”, disse o treinador, revelando a receita do sucesso.
Acho que o exemplo de Ney deve servir para o nosso Uberaba e, de quebra, para o Nacional, que até tem o exemplo de Luiz Cecílio, quando este foi presidente, e revelado em artigo desta semana, aqui no Jornal da Manhã. O Uberaba Sport precisa, primeiro, definir seus objetivos, traçar sua estratégia e partir efetivamente para a prática. Do jeito que as coisas andam, com esse nhenhenhém se técnico vai ou fica, se jogadores vêm ou vão, de intermináveis períodos de teste, se vende ou não vende Boulanger Pucci, não vai a lugar nenhum e continuará tendo como grandes patrimônios apenas a apaixonada torcida colorada e seu hino magnífico.

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