terça-feira, 15 de julho de 2008

A história da Casa Verde

De pai para filho

Verde da esperança e dos negócios


Dez em cada dez empresários bens sucedidos tem algo em comum: conquistaram o mercado apostando em um diferencial. Em se tratando de comércio destacar-se é importante e o senhor Cecílio João, em 1953, já sabia disso.

O comerciante de Conquista não teve dúvidas ao aconselhar o filho que acabara de montar loja na rua São Benedito em Uberaba e sentia a necessidade de fazer uma nova pintura no imóvel alugado. “Pinta de verde!” disse ao filho Cecílio João Júnior ou, simplesmente, Cecilinho. Na hora de dar nome à loja de presentes, o pai do empresário recém-estabelecido também não teve dúvida: “Coloque Casa Verde!”

Foi assim que nasceu uma das mais belas histórias do comércio de Uberaba, contada com lágrimas nos olhos por Cecilinho e acompanhada com um misto de amor, admiração e testemunho pela filha Andréa Hueb Cecílio.

Há 55 anos, Cecilinho acertou em cheio ao seguir os conselhos do pai. Ganhou destaque, referência no comércio. Naquela época, a rua São Benedito era a principal via de acesso do centro à rodoviária e vice-versa. As fachadas das lojas tinham, em sua maioria, cores claras como amarelo, branco e rosa. Assim, a Casa Verde passou a ser referência pela cor e pelo atendimento.

Quando inaugurou a Casa Verde, Cecilinho tinha 19 anos, mas a loja nunca deixou de ser uma empresa familiar. O pai o ajudava, quando viajava para fazer compras. “Ele estava fazendo muita força para que eu melhorasse na vida. Logo comprei um caixa e uma vitrine novos”, lembra. Os dois objetos ainda são guardados na Casa Verde que logo ganhou prédio próprio, na mesma rua.

A felicidade só não foi completa porque o pai de Cecilinho morreu antes da inauguração e frustou a intenção de serem vizinhos nos apartamentos construídos nos andares superiores do prédio onde hoje a loja está instalada.
Com o mercado conquistado, e muito trabalho, Cecílio casou-se com a professora de música Cristina Hueb Cecílio - ex-diretora do Conservatório Renato Frateschi. Vieram os filhos Laila, Andréa, Guilherme e Eduardo.

Cecílio Jr. não esconde que quando chegaram os meninos, logo pensou que eles seriam seus sucessores no comércio. Entretanto, para surpresa dele, Eduardo decidiu ingressar na Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, formou-se e especializou-se em Ginecologia e Obstetrícia, mantendo consultório em Uberaba. Guilherme optou pela odontologia e hoje tem uma clínica em Goiânia. Laila casou-se bem nova e mudou para Carajás-PA.
Andréa casou-se mais tarde e mesmo depois dos filhos não desgrudou do pai. Hoje é a responsável pela compras da loja e quando não está viajando sempre bem humorada recebe os clientes da Casa Verde. Para ela, se o verde é a cor, o Cecilinho é a alma da Casa Verde. E no que depender da família Cecílio esta história está apenas começando.
Aposentada como professora e diretora do Conservatório de Música Renato Frateschi, Cristina Cecílio, está montando a sessão de decoração da Casa Verde junto com a filha Laila, que voltou à cidade e, depois de vários anos no Shopping Uberaba com lojas de presente e bijouteria, já está preparando para abrir lojas na rua Ituiutaba. Ela vai dedicar-se a venda de bijouterias e roupas indianas deixa escapar Cecilinho.


Colaboradores

Não é preciso mais do que cinco minutos para notar a valorização que Cecilinho dá a seus funcionários na Casa Verde. Ele lembra desde Zezinho, o primeiro funcionário, ao garoto Daschel, de 17 anos, o mais novo de casa. Na lista aparecem Vilma, Roberto e Gismar. Eles estão com 23, 29 e 23 anos de casa respectivamente. Norma, Beatriz, Gismar, Rodrigo e Maurício também trabalharam durante décadas na loja de presentes e alguns deles decidiram seguir o caminho do patrão, abrindo estabelecimentos comerciais na cidade.

Estratégias

João Cecílio Jr. sempre teve tino comercial para saber o que mais agradaria o cliente. Assim, no início investiu muito em peças de alumínio e louças que comprava em grande quantidade e fazia “queimas, atraindo milhares de clientes”. Mas não perdia ocasiões como o Natal para incrementar mais suas vendas. Assim, como não havia supermercados nas décadas de 50 e 60 ele trazia de São Paulo grandes quantidades de castanhas e uvas passas. O movimento era tão grande que ele contava com a ajuda do amigo Assiz Mansur (e família) para atendimento aos clientes.

Casa Pena

Desde criança Cecilinho sabia muito bem o que queria. Segundo ele, quando ia comprar alguma coisa para os pais na Casa Pena sempre pensava que queria ter uma loja como aquela - uma das mais tradicionais no ramo de ferramentas da cidade. Coisas da vida fizeram com que ele se dedicasse aos presentes, mas ele não se arrepende nem pouco por isso: “Eu sou louquinho por essa loja”.

Texto publicado na revista Perfil Empresarial

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